Saiba mais sobre doenças bucais em crianças






É através da boca que nutrimos todo o restante do organismo. Mas é preciso ficar atento: por ser escura, quente e úmida, a boca é um ambiente propício para a proliferação de diversas bactérias, e algumas delas são prejudiciais para a saúde do corpo. As patologias que acometem o trato bucal podem gerar complicações e devem ser tratadas com seriedade – praticar uma cuidadosa higiene bucal é a melhor forma de evitar que quadros mais graves sejam desenvolvidos.

Pode-se destacar como doenças mais comuns na infância e que apresentam lesões bucais: a candidíase, a infecção primária do herpes, bem como outras viroses, como o sarampo, a catapora e a rubéola. Tais males, em geral, não costumam ser graves, mas exigem cuidados, para que não acarretem sequelas ou outras complicações.

Candidíase Pseudomembranosa

A candidíase pseudomembranosa caracteriza-se por uma infecção fúngica, também conhecida como "sapinho". Muito comum nos primeiros meses de vida, apresenta-se na forma de placas brancas que são removidas à raspagem. São encontradas principalmente na mucosa da bochecha língua e palato, apresentando fundo eritamatoso. Em geral, não apresenta dor, podendo os pacientes apresentar ardência. Pode ser provocada após uso de antibióticos de amplo espectro. O hábito de colocar objetos na boca facilita a sua instalação. A higiene bucal pode auxiliar no tratamento, que se baseia no uso de antifúngicos.

Estomatite Herpética Primparia

Representa a manifestação primária da infecção pelo herpes, sendo mais comum em crianças de seis meses a cinco anos. As lesões bucais são acompanhadas ou precedidas de febre alta (39,4 a 40,5 ºC), gânglios inflamados, náusea, anorexia, irritabilidade, calafrios, mal-estar e artralgia, que podem durar até dois dias. Casos brandos desaparecem em cinco a sete dias (casos mais graves: 14 dias) – sem cicatriz. São observadas vesículas puntiformes e úlceras recobertas por pseudomembrana. A gengiva fica edemaciada, eritematosa, dolorosa e com sangramento. As lesões doem muito, e o tratamento é sintomático e de suporte, baseado principalmente em analgésicos.

Sarampo

O sarampo representa uma infecção viral (paramixovírus) cujo período de incubação dura entre 10 e 12 dias, sendo seu contágio por meio das gotículas de saliva. Os primeiros sintomas antes que o exantema apareça na pele são a presença de secreção nasal, ocular e bronquial, levando a rinite, conjutivite e bronquite acompanhados de febre. Na boca são observadas pequenas manchas branco-azuladas em um fundo eritematoso na parte interna da bochecha e lábios – as Manchas de Koplik. Podem aparecer até 48 horas antes das erupções da pele, o que pode facilitar o diagnóstico. Dura em torno de 10 dias, porém as crianças imunizadas costumam ter sua manifestação mais amena. O tratamento baseia-se no controle dos sintomas.

Catapora

A catapora, também chamada de varicela, é uma das doenças mais comuns na primeira infância. A transmissão de seu vírus acontece por contato direto, ficando incubado por até 14 dias. Uma de suas características é a grande variedade de formato de lesões no mesmo momento. Apesar de não ser grave e de normalmente ocorrer de forma atenuada se a criança tiver sido vacinada, exige alguns cuidados, como o tratamento das próprias lesões (vesículas), que coçam bastante, e se a crianças não estiver com as unhas limpas pode provocar uma infecção por bactéria nas feridas. As lesões bucais podem preceder as cutâneas e assemelham-se à gengivoestomatite herpética primária, sendo vesículas branco-opacas, que se rompem formando úlceras. O tratamento é sintomático, e são possíveis complicações a pneumonia e a encefalite.

Rubéola

A rubéola consiste também em uma infecção viral, contraída por meio de aerossóis, porém não apresenta sintomas prévios antes da instalação do exantema. O sintoma mais frequente é a febre, acompanha de manchas avermelhadas por todo o corpo. Na boca, observa-se o "Sinal de Forchheimer", que são pequenas elevações discretas, vermelho escuras, em palato mole, concomitantes às lesões cutâneas e duram no máximo 12-14 h. Durante o período em que estiver doente, a criança poderá apresentar dores articulares e pequenas hemorragias na pele. O tratamento também é assintomático.

CÁRIE

Esta é uma das doenças bucais mais comuns, especialmente entre a população infantil. A cárie se origina dos ácidos liberados no processo de metabolização dos açúcares consumidos. Os ácidos provocam a desmineralização dos dentes, corroendo o esmalte e a dentina (estruturas calcificadas que compõem a dentição). Surgem graves infecções quando há excesso deste ácido reagindo nos tecidos dentários, podendo chegar à destruição total dos dentes mais afetados.

Os sintomas relacionados à cárie envolvem dor de dente insistente (principalmente ao comer doces), dificuldade para mastigar e pode haver queda dos dentes mais danificados. Para passar longe dos desconfortos da cárie, a prática de escovação adequada e uso regular de fio dental são essenciais. Realizar acompanhamento de rotina com um dentista também ajuda a evitar o quadro.

PLACA BACTERIANA

Também bastante recorrente, a placa bacteriana é caracterizada pela formação de uma película viscosa e sem cor ao redor dos dentes, da gengiva e da língua. A película é formada pelo acúmulo de bactérias e restos de alimentos nos vãos entre dentes e gengiva (por decorrência da má escovação), e se concentra mais rapidamente quando há consumo frequente de açúcares. A placa bacteriana é o estágio inicial para o surgimento de cáries, mau hálito e infecções nas gengivas.

A formação de uma camada espessa ao redor dos dentes, retração da gengiva e dor de dente são os sintomas mais característicos da placa bacteriana. Para evitá-la, escove os dentes com atenção e regularidade – sem esquecer de também escovar a língua e fazer uso do fio dental.

GENGIVITE

A inflamação da gengiva se dá por consequência da placa bacteriana: quando há grande concentração de bactérias e restos de alimento sobre os tecidos gengivais, cria-se a condição perfeita para um quadro de gengivite.

A gengivite provoca sensibilidade, inchaço, vermelhidão e sangramento das gengivas, principalmente durante a escovação. Em quadros mais avançados, surgem bolsas entre os dentes e a gengiva, e há grande predisposição para halitose. Para fugir da gengivite, a recomendação é a mesma: escovação dentária adequada, acompanhada do uso do fio dental. Quando a gengivite já se estabeleceu, é necessário consultar um dentista para que seja administrado o tratamento mais adequado.

PERIODONTITE

A periodontite é uma consequência da gengivite negligenciada: caracteriza-se pelo comprometimento de todos os tecidos e fibras que sustentam a dentição, por conta das bactérias alojadas na região bucal por longos períodos. Quando os processos inflamatórios da gengiva aumentam de proporção e atingem os tecidos de sustentação, pode haver queda dos dentes – inclusive, a periodontite é a principal causa de perda dentária entre adultos.

Sensibilidade aumentada e sangramento são os principais sintomas da doença. A prevenção consiste em evitar, primeiramente, um quadro de gengivite: através da escovação adequada e uso do fio dental. Existem pessoas geneticamente predispostas ao quadro, e o dentista deve ser consultado diante dos primeiros sinais da doença.

AFTA

Todo mundo já sentiu o desconforto das aftas em algum momento da vida. Estas pequenas erupções que aparecem na mucosa bucal são causadas por um equívoco do sistema imunológico: o corpo interpreta pequenos ferimentos na boca como bactérias e os ataca, aumentando a lesão e gerando a úlcera. Também pode ser desencadeada por elevados níveis de estresse, poucas horas de sono, distúrbios gastrointestinais, consumo de cigarro ou ingestão de comidas muito ácidas.

As aftas são brancas ou amareladas, de formato arredondado, não apresentam pus e podem ser únicas ou múltiplas. Costumam ser bastante doloridas e provocam inchaço e vermelhidão ao redor da úlcera. Para evitar as aftas, recomenda-se o consumo restrito de alimentos muito ácidos e cuidado especial com o uso de aparelhos ortodônticos, que facilitam a ocorrência de lesões na mucosa bucal. Escovar os dentes lentamente também é uma medida de cuidado.

HALITOSE

Também conhecida como mau hálito, a halitose é uma condição incômoda que interfere na qualidade das relações interpessoais do indivíduo. Sua causa está vinculada à má escovação dos dentes e principalmente da língua, onde ficam acumuladas bactérias e restos de alimentos que provocam mau cheiro. Também pode estar relacionada ao tabagismo, ao alcoolismo ou a infecções bucais.

O principal sintoma da halitose é o mau cheiro, que é facilmente percebido durante um diálogo com o indivíduo que possui a doença – o que gera um sério impacto na autoestima e na confiança da pessoa. Para passar longe da halitose, cultive bons hábitos de higiene bucal e não dispense o uso de enxaguantes bucais. Nos casos onde a origem do problema não está relacionada à falta de higiene, o tratamento deve ser especializado – consulte um dentista ou estomatologista.

Além dos aspectos clínicos, os relatos sintomáticos e a história das lesões bucais são fundamentais para um diagnóstico seguro. Deve-se, contudo, ter em mente que esses dados reportados por um paciente infantil não são muito confiáveis, uma vez que a criança tem dificuldade de descrever sensações e detalhes do desenvolvimento das lesões. Cabe aos pais e responsáveis estar atentos não só aos sintomas gerais, mas também aos sinais que podem aparecer precocemente na boca, e indicar um possível diagnóstico, tornando o curso da doença mais tênue.

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