As doenças do trabalho no meio odontológico






Cirurgiões dentistas estão entre os mais afetados pela LER e DORT

A sociedade moderna tem sido cada vez mais vítima das chamadas doenças do trabalho. O excesso de horas de traba-lho seguidas, a pressão para atingir resultados cada vez melhores e a repe-tição constante de alguns movimentos pode levar a problemas sérios de saúde.

A maioria das pessoas não se dá conta de todos esses fatos, e só vão perceber seu resultado quando encontram-se em um estado avançado, com as chamadas Lesões por Esforço Repetitivo, ou, como são mais conhecidas, LER.

As LER, como o próprio nome diz, são lesões nos músculos e articulações causadas por uma má postura durante o trabalho ou por realizar movimentos repetitivos durante um longo período de tempo, sem intervalo.


Má postura durante o trabalho

Outra definição para as Lesões por Esforço Repetitivo que vem sendo bastante utilizada é DORT – Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho. O termo DORT foi adotado pelo INSS em 1998 e é mais preciso para se referir a esse tipo de doença ocupacional, já que abrange um número maior de casos, não só os que já se transformaram em lesão por apresentarem um estágio avançado.

Muitas pessoas, erroneamente, referem-se aos DORT e às LER como se fossem sinônimos. Os DORT referem-se a qualquer distúrbio ocasionado pelo trabalho, são mais brandos que as LER e, se diagnosticados na fase inicial, possuem grandes chances de serem curados. Caso não sejam tratados, os DORT podem evoluir para uma LER, que já é mais difícil de ser tratada devido à sua severidade.

As Lesões por Esforço Repetitivo costumam atingir os profissionais das mais diversas áreas. Com relação ao sexo, as mulheres costumam sofrer mais com as doenças ocupacionais. Uma das possíveis causas seria o fato das mulheres apresentarem uma menor densidade e tamanho dos ossos e uma musculatura mais frágil, além de utilizarem anticoncepcionais e realizarem tarefas domésticas após o trabalho.

Entre as classes mais afetadas es-tão secretárias, bancários, opera-dores de linha de montagem, professores, pessoas que traba-lham com computador e também os odontologistas.

São vários os motivos que levam o cirurgião-dentista a fazer parte do grupo de risco de LER e, entre os principais, podemos citar o alto número de horas trabalhadas por dia. Não é difícil encontrarmos profissionais que trabalham de 9 a 12 horas por dia, executando sempre os mesmos movimentos e permanecendo na mesma posição. Isso causa um desgaste dos músculos e articulações, levando a alguns distúrbios que, caso não sejam tratados, podem evoluir a uma LER.

Outro problema no dia-a-dia do dentista é a má postura. Primeiramente, não são todos os profissionais que têm o cuidado em escolher equipamentos ergonomicamente apropriados. E mesmo os que possuem uma preocupação com o lado ergonômico do consultório podem sofrer com dores nas costas, mãos, punhos e braços por adotarem uma postura incorreta.

Estudos mostram que praticamente 70% dos profissionais da odontologia queixam-se de algum tipo de dor. As áreas mais afetadas são o pescoço, as costas e o ombro.

A utilização de instrumentos rotatórios também pode levar ao surgimento de distúrbios osteomusculares ou até mesmo lesões. A constante vibração gerada pelos micromotores pode gerar micro lesões a partir do momento que as vibrações se propagam pelos tendões, músculos e ossos.

O fator psicológico também influi muito no desgaste muscular e das articulações. A pressão em atender um número cada vez maior de pacientes em um curto espaço de tempo e as metas a serem cumpridas deixam o CD sob tensão, atingindo ainda mais os músculos e articulações.

Um estudo realizado no ano 2000 mostra que as espe-cialidades mais atingidas entre a classe odontológica são, respectivamente: Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilo-facial, Endodontia, Periodontia, Dentística Restauradora, Odontopediatria e Prótese Dentária.

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